| VIDA COTIDIANA |
Quase todo mundo quer ler melhor. E o curioso é que até quem não tem o hábito da leitura carrega esse desejo em algum lugar escondido. Aquela vontade meio envergonhada de gostar de algo que ainda é um desafio. Ler de verdade, ler com gosto.
Mas o desafio vai além de simplesmente gostar de ler. Existe uma questão mais sutil, e talvez mais honesta, que poucos falam abertamente: a importância de escolher o que vai ler.
Na época do seminário, essa tensão era quase palpável. Circulava entre os corredores uma frase dita em voz baixa, com um sorriso de cumplicidade entre os alunos: “hoje leio o que me mandam, um dia lerei o que quero…” Havia nessas palavras uma resignação gentil, mas também uma esperança viva, a de que chegaria o tempo das leituras escolhidas com o coração, não apenas cumpridas com a cabeça.
E esse tempo chega. Para muitos, ele já chegou.
A questão é o que fazemos com essa liberdade quando ela aparece. Se corremos para o que alimenta de verdade, ou se ficamos apenas circulando entre títulos que impressionam, mas não transformam.
Deus nos chamou para uma fé viva, e a leitura que nos aproxima dele deveria ter esse mesmo sabor — de algo que não apenas informa, mas que acende. Como aconteceu com os discípulos no caminho de Emaús, que sentiram o coração arder sem nem entender direito por quê.
Talvez seja esse o critério mais honesto para escolher um livro: ele faz arder algo em você?
Você lê a Bíblia?
A Bíblia Sagrada já foi o livro mais vendido, o mais perseguido, o mais atacado. Mas, ao que parece, o menos compreendido. Atribuir à Bíblia erros e contradições é uma estratégia utilizada por seus inimigos desde a sua formação e aparecimento nos primórdios dos tempos. Logo, fazer uma leitura correta (canônica) é o caminho mais nobre que algum leitor possa traçar.
Soli Deo gloria. A história da humanidade não se explica sem uma pergunta central, aquela que ressoa desde os primeiros capítulos do Gênesis até as últimas páginas do Apocalipse: quem é Jesus Cristo, e o que ele tem a ver comigo?
A teologia reformada não hesita em responder. Ele não é apenas um bom mestre, um exemplo moral ou uma figura histórica admirável. Ele é o Verbo eterno que se fez carne, o Filho de Deus que entrou no tempo para resgatar o que estava perdido. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)
Todo ser humano nascido nesta terra carrega consigo o peso de uma natureza corrompida. A doutrina reformada da depravação total não diz que o homem é tão mau quanto poderia ser, mas que nenhuma parte de sua existência escapou ao efeito da Queda. A mente, a vontade, as emoções — tudo inclina-se para longe de Deus. E é exatamente nesse ponto que Cristo se torna não apenas relevante, mas absolutamente necessário.
O homem nunca chega ao verdadeiro autoconhecimento sem antes ter contemplado o rosto de Deus e, a partir daí, descido a examinar a si mesmo.João Calvino
A Cruz não foi um acidente da história. Foi o plano eterno de um Deus soberano que, em sua graça imerecida, decidiu salvar para si um povo. “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4:10). Cristo não veio apenas para tornar a salvação possível — ele veio para efetuá-la. Sua vida perfeita foi vivida em nosso lugar. Sua morte foi o pagamento de uma dívida que jamais poderíamos quitar.
CRISTO É SUFICIENTE. CRISTO É NECESSÁRIO.
Não há neutralidade diante de Jesus. Cada homem e cada mulher que respira neste mundo está, neste exato momento, em um de dois estados: ou debaixo da ira santa de um Deus justo, ou debaixo da graça de um Deus misericordioso que justificou o ímpio por meio de seu Filho. “Não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12). Essa é uma afirmação que não admite confortável indiferença.
A pergunta, então, não é teórica. Ela é pessoal, urgente e eterna. Você pode conhecer todos os credos, memorizar os catecismos e dominar a teologia sistemática — e ainda assim nunca ter curvado o joelho diante daquele que morreu e ressuscitou. A teologia reformada, em sua melhor expressão, nunca foi apenas um sistema intelectual. Ela é um convite ao arrependimento, à fé e à vida escondida em Cristo.
O Pastor Jonas Madureira apresenta uma reflexão provocadora sobre algo que ele enxerga como um problema estrutural na vida espiritual de muitos cristãos: a ignorância bíblica que se esconde por trás de uma justificativa aparentemente inofensiva, a simplicidade.
Segundo ele, há uma confusão deliberada e em certo sentido até estratégica entre ser simples e ser ignorante. A simplicidade verdadeira, no entendimento do pastor, é uma virtude de caráter. Ela tem a ver com humildade, com ausência de arrogância, com uma postura honesta diante de Deus e das pessoas. O que não tem nada a ver com simplicidade é a preguiça intelectual disfarçada de modéstia, aquele discurso de que “a Bíblia é muito difícil” ou “isso é coisa de teólogo” usado como escudo para evitar o esforço do estudo.
Jonas Madureira argumenta que o domínio das Escrituras e uma vida de oração consistente não são conquistas fáceis. Elas exigem disciplina, persistência e, principalmente, a disposição de lutar contra a própria resistência interna, aquela voz que prefere o conforto da superficialidade à profundidade que o crescimento espiritual demanda. Ele usa a imagem de uma batalha, não contra inimigos externos, mas contra a acomodação que cada um carrega dentro de si.
Há também uma palavra direta aos líderes religiosos. O pastor os desafia a não se tornarem cúmplices da estagnação espiritual de suas congregações ao aceitarem sem questionar as desculpas de quem evita o estudo. Quando um líder valida a preguiça com frases como “não precisa complicar tanto”, ele pode estar, sem perceber, colaborando com aquilo que o próprio Jonas chama de uma estratégia de alienação espiritual.
No fim, a mensagem central é que a busca pelo conhecimento divino é apresentada como um caminho de sacrifício contínuo, mas um sacrifício que vale a pena. Não porque sofrimento seja um fim em si mesmo, mas porque é justamente através desse esforço que a fé se aprofunda, a mente se renova e o crente se torna menos vulnerável ao engano.
Números Principais da Guerra no Oriente Médio (Março 2026):
- Mortes Totais Estimadas: Passam de 1.160 a mais de 1.858.
- Líbano: Mais de 1.000 mortos.
- Irã: 555 mortos.
- Locais Atingidos: Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Iraque, Líbano e Irã.
