FELIZ DIA DAS MÃES!

por Rev. Jeferson A. Pereira

PRIMEIRO DIA DAS MÃES, VERDADEIRAMENTE SEM MINHA MÃE!

Em setembro de 2025, minha mãe partiu para os braços do Senhor. Após anos carregando o peso do sofrimento com uma força que só ela sabia ter, chegou o momento em que Deus, em Sua misericórdia, a chamou para Si. Hoje, tenho a certeza e o consolo de que ela descansa, livre de toda dor, livre de toda enfermidade, plena como nunca mais pôde ser aqui.

Obviamente, não posso ser hipócrita, fingindo que nada sinto, que sou forte como uma rocha diante de mais uma perda, entre tantas que os últimos anos me trouxeram.

Sou pastor presbiteriano, e uma das minhas muitas funções é oferecer consolo diante das perdas que a morte inevitavelmente impõe. Nem todos carregam a esperança daqueles que nasceram de novo pela fé no Senhor Jesus. Por isso, como ministro do evangelho, reconheço que tenho duas, quem sabe três, oportunidades preciosas: aniversários, funerais e casamentos. Em qualquer uma dessas ocasiões, um bom pastor pode pregar o evangelho de modo a convidar os presentes a entregarem a vida ao Senhor Jesus Cristo. No aniversário, celebramos a vida e as conquistas de quem festeja. No funeral, honramos o legado de uma vida que se encerra, mas que deixa lembranças e ensinamentos vivos em todos que ficam. No casamento, lembro aos convidados que a própria Bíblia compara a Igreja do Senhor a uma noiva, e Cristo ao noivo que vem para buscá-la.

Mesmo assim, quando se trata dos meus pais, e agora, especialmente da minha mãe, me vejo como alguém que distribui esperança para todos, mas não guardou nenhuma para si.

E é exatamente por isso que sou o que sou: um simples pastor. Um pastor que vive pela fé, e não pelo que vê ou sente. Porque se eu vivesse pelo que sinto… olha, sinceramente: sinto muito. E isso é verdade. Sinto muito, e sinto muitas coisas ao mesmo tempo. Sinto a falta da minha mãe. Sinto falta de ouvir sua voz no telefone. Tenho inúmeras mensagens de áudio gravadas por ela, e ainda não sei ao certo se escutá-las me faz bem ou me faz mal. Mas as tenho. Tenho também uma série de bilhetinhos que ela escreveu ao longo da minha vida. Tenho artesanatos que ela fez com as próprias mãos. Tenho alguns dos seus pratos. E tenho, claro, muitas fotos e lembranças que ninguém me tira.

Não escrevo isso para despertar sua pena. Escrevo porque quero que você aproveite o tempo que ainda tem. Minha mãe ficou muito teimosa nos seus últimos anos de vida. Nos tirava do sério com facilidade, nos fazia perder a paciência mais rápido do que gostaríamos de admitir. Mas hoje, sem mamãe aqui, até dos seus defeitos sinto falta. Por isso, abrace a sua mãe. Beije-a. Abrace seu pai. Ligue para ele se estiver longe. Diga “eu te amo”. Diga “me perdoa”. Diga enquanto eles ainda têm vida, porque depois você vai querer ter dito, e não vai conseguir.

Este texto não é para minha mãe. Onde ela está, a Bíblia Sagrada nos garante que ela já não pode me ver ou me ouvir daqui. Este texto é para você, que ainda tem a chance de desfrutar da presença da sua mãe, do seu pai, de quem você ama. Aproveite. O tempo não espera, e as despedidas chegam sempre antes do que imaginamos.

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