Soli Deo gloria. A história da humanidade não se explica sem uma pergunta central, aquela que ressoa desde os primeiros capítulos do Gênesis até as últimas páginas do Apocalipse: quem é Jesus Cristo, e o que ele tem a ver comigo?
A teologia reformada não hesita em responder. Ele não é apenas um bom mestre, um exemplo moral ou uma figura histórica admirável. Ele é o Verbo eterno que se fez carne, o Filho de Deus que entrou no tempo para resgatar o que estava perdido. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)
Todo ser humano nascido nesta terra carrega consigo o peso de uma natureza corrompida. A doutrina reformada da depravação total não diz que o homem é tão mau quanto poderia ser, mas que nenhuma parte de sua existência escapou ao efeito da Queda. A mente, a vontade, as emoções — tudo inclina-se para longe de Deus. E é exatamente nesse ponto que Cristo se torna não apenas relevante, mas absolutamente necessário.
O homem nunca chega ao verdadeiro autoconhecimento sem antes ter contemplado o rosto de Deus e, a partir daí, descido a examinar a si mesmo.João Calvino
Donec pede justo, fringilla vel, aliquet nec. A Cruz não foi um acidente da história. Foi o plano eterno de um Deus soberano que, em sua graça imerecida, decidiu salvar para si um povo. “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4:10). Cristo não veio apenas para tornar a salvação possível — ele veio para efetuá-la. Sua vida perfeita foi vivida em nosso lugar. Sua morte foi o pagamento de uma dívida que jamais poderíamos quitar.
CRISTO É SUFICIENTE. CRISTO É NECESSÁRIO.
Não há neutralidade diante de Jesus. Cada homem e cada mulher que respira neste mundo está, neste exato momento, em um de dois estados: ou debaixo da ira santa de um Deus justo, ou debaixo da graça de um Deus misericordioso que justificou o ímpio por meio de seu Filho. “Não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12). Essa é uma afirmação que não admite confortável indiferença.
A pergunta, então, não é teórica. Ela é pessoal, urgente e eterna. Você pode conhecer todos os credos, memorizar os catecismos e dominar a teologia sistemática — e ainda assim nunca ter curvado o joelho diante daquele que morreu e ressuscitou. A teologia reformada, em sua melhor expressão, nunca foi apenas um sistema intelectual. Ela é um convite ao arrependimento, à fé e à vida escondida em Cristo.
