FINAL DE SEMANA COM O REINO

por Rev. Jeferson A. Pereira

Nesse fim de semana, tive o privilégio de servir ao Senhor, compartilhando das Sagradas Escrituras na Igreja Bíblica, na cidade de Araçatuba, no interior de São Paulo. Como maio é, por tradição, o mês da família, vi em meu coração a coragem necessária para pregar sobre Efésios 6:1-4 nas duas noites e, no domingo pela manhã, na escola bíblica dominical, introduzir a igreja à obra magnífica do Pastor Renato Vargens, Pais Fracassados”, um livro que tem tocado famílias inteiras Brasil afora.

Entre as muitas bênçãos recebidas, muitos jovens de outras igrejas compareceram, e pessoas especiais cruzaram o nosso caminho de maneiras que não esperávamos. O Senhor, em sua bondade inesgotável, sempre sabe como surpreender aqueles que saem para servir. Como disse o salmista: “O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua alma” (Salmos 121:7). E, de fato, fomos guardados e sustentados a cada passo.


A hospitalidade que vem do alto

A primeira grande bênção começou ainda na chegada, com a recepção calorosa da nossa filha do coração que temos em Araçatuba, com quem pudemos comemorar seu aniversário, que havia sido no dia 05. Uma alegria simples, mas carregada de afeto genuíno. Depois, já na igreja, o pastor e líder dos jovens, João Vítor, nos acolheu com um cuidado que só se explica pelo amor que ele tem pelo ministério. E no domingo, fomos recebidos no lar do irmão Américo e da Dra. Rosana, que nos trataram como reis nessa terra.

Tivemos um tempo precioso ao redor da mesa, como toda família cristã deveria ter com mais frequência: sorrisos, histórias, comida deliciosa e, acima de tudo, a presença do Senhor no meio de nós. Passamos boa parte do Dia do Senhor contando sobre as suas maravilhas, e cada conversa parecia regar a alma de uma forma que as palavras dificilmente descrevem.


O pastor que nenhuma câmera conhece

A segunda bênção foi fazer novas amizades e, entre muitas, preciso destacar a do homem de Deus, Pastor João Vítor. Um cara fora da curva, se posso usar esse termo mais jovial. Esposo da Jéssica e pai da Esther, ele é mais um daqueles servos que Deus mantém operando nos bastidores do reino, longe dos holofotes e das listas de mais visados. Não tem canal no YouTube, não tem livro publicado, e não sei se já plantou uma árvore sequer. O que sei com certeza é que ele é um servo do Deus Altíssimo que trabalha incansavelmente para a glória do Nome acima de todo nome.

Atendeu a todos os nossos pedidos, supriu todas as nossas necessidades, foi paciente, presente e cuidadoso. Nos introduziu de uma forma que não merecíamos e investiu tempo genuíno em nosso ministério. Foi um verdadeiro lenitivo em um fim de semana bem agitado. Com um pastor desse calibre ao nosso lado, me vi questionando em oração por qual razão eu, miserável pecador, fui chamado como preletor naquele fim de semana.

Paulo escreveu aos Filipenses: “Mas o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas em glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19). O Pr. João foi, para nós, uma dessas formas concretas de Deus suprir. Fica aqui registrado que só o Senhor poderá recompensar todo o carinho e cuidado. E estendo esse agradecimento, citando o próprio pastor João, a todos os demais irmãos que foram instrumentos de Deus para o nosso sustento durante esses dias.


Os paquistaneses e a cereja do bolo

A Igreja Bíblica é, de forma exponencial, uma igreja missionária. Missões não são um departamento de lá, são a sua essência, o seu DNA, a razão pela qual ela existe e respira. Entre as muitas frentes de atuação, a igreja possui um projeto lindo de acolhimento e orientação de famílias refugiadas ou em situação de vulnerabilidade. Foi por meio desse projeto que encontrei, no culto solene de domingo, duas famílias paquistanesas. Nenhuma delas fala português.

Há uma voluntária da igreja que traduz baixinho a pregação do pastor, sentada no terceiro ou quarto banco da terceira fila à direita do púlpito. É uma experiência singular assistir àquilo: você ouve a pregação e, segundos depois, escuta um eco em inglês vindo daquela direção. O simples fato dessa irmã pregar para eles, instantes após o pregador narrar o evangelho do púlpito, já me tocou de maneira profunda. Mas a cereja do bolo ainda estava por vir.

Quando o culto terminou, eu, como bom pastor presbiteriano, estava na porta cumprimentando a todos com a destra da comunhão. Aquela santa rotina: um sorriso, um aperto de mão, “Deus abençoe sua semana”. De repente, a família paquistanesa número um chegou à minha frente. Um sorriso incrível, dentes branquinhos, um português absolutamente ininteligível e logo em seguida um “obrrrriiiiigaduuu” que saiu do coração, isso era claro. Cientes de que aquilo não havia convencido esse pecador que vos escreve, eles então recorreram a gestos. Quando tentaram o inglês, respondi com todo o garbo: “God bless you!” Um brilho diferente surgiu daqueles olhos imediatamente. Era como se dissessem: olha, o pregador fala inglês.

A esposa do irmão paquistanês perguntou, surpresa: “Do you speak english?” E eu, para a sua frustração, respondi honestamente: “More or less.” Ela, mesmo assim, com uma fé admirável em meu potencial linguístico, declarou: “Ohh, very good!” Mas a cereja do bolo foi o marido dela. Ele me olhou fundo nos olhos e disse, com uma seriedade e uma doçura que ainda carrego comigo: “Very good message! Thank you!”

Trinta anos de pregações. Jamais havia escutado isso de um ouvinte estrangeiro. Claro que ele foi deveras bondoso, talvez mais do que a pregação merecia. Mas aquilo aqueceu esse coração de uma forma que só posso descrever como um presente de Deus. Lembrei das palavras de Isaías: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Isaías 55:11). A Palavra pregada naquele domingo chegou até onde eu não conseguia chegar com as minhas próprias palavras. Essa é a graça do evangelho.


Voltando para casa

O culto terminou. Fomos apresentados a uma cantina missionária, houve conversas, um breve aconselhamento, números e contatos trocados para futuros diálogos, e então voltamos para casa. Levo comigo o choro da nossa filha do coração, que sempre nos toca, o abraço apertado de irmãos mais velhos, os novos convites nascidos de corações generosos, e toda a glória que pertence ao único Deus todo-poderoso, eterno e misericordioso.

Obrigado, Igreja Bíblica. Obrigado, povo de Deus. Obrigado, minha filha e meu futuro genro, por terem estado conosco no sábado. E obrigado, minha esposa incrível e guerreira, que trabalhou durante toda a semana e ainda enfrentou com coragem esses dois dias de viagem, pregações e sono reduzido. Você é a graça de Deus em forma de pessoa ao meu lado.

A Ele, a honra, a glória, o poder e o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém.

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